Mãe, avó, amiga e serva dedicada, Dona Lola deixa um legado de simplicidade, amor à família e esperança na vida eterna.
Quando as luzes da Casa da Saudade, em Castanheira, permanecem acesas, é sinal de que alguém concluiu sua jornada na realidade do aqui e do agora. Neste sábado, 20 de junho, porém, a claridade que atravessa a noite carrega um significado ainda mais profundo para familiares e amigos de Maria Lola de Macedo: a vigilância da fé e a esperança que não se apaga.
Ao longo desta noite e da madrugada, entre lágrimas, abraços e lembranças, serão prestadas as últimas homenagens à mulher que, para muitos, foi exemplo de simplicidade, bondade e dedicação ao próximo. Como escreveu Santo Agostinho: “A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho.” Para os que creem, a despedida não representa um adeus definitivo, mas a expectativa do reencontro prometido por Deus.
Natural de Nova Olinda, no Ceará, Lola chegou a Castanheira em 1988, ano da emancipação do município. Ao lado do esposo, Nicolau Cláudio Macedo, hoje com 96 anos, escolheu construir sua história diretamente na terra que despontava como esperança para tantas famílias no noroeste mato-grossense.
Mulher de hábitos simples, dedicou sua vida ao lar e à família. Mãe de oito filhos, todos homens, um dos quais, Francisco Claudio Macedo falecido recentemente, encontrou nas pequenas coisas as grandes alegrias da vida: cuidar da casa, cultivar flores e servir com amor aqueles que estavam ao seu redor. Para o filho José Cláudio Macedo, o Zezinho, a definição é simples e profunda: “Uma mulher incrível.”
Além da dedicação à família, Dona Lola construiu laços de amizade e serviço na comunidade. Participou com entusiasmo das atividades do Grupo Saber Envelhecer e da Pastoral dos Idosos, espaços onde semeou afeto, solidariedade e companheirismo.
Entre os muitos que hoje lamentam sua partida está Aparecida Joaquina, que encontrou em Lola mais do que uma amiga. “Tudo que se possa pensar de bom, eles sempre foram para mim”, diz, referindo-se a Lola e ao esposo Nicolau. Com a voz embargada pela emoção, ela resume o sentimento de quem perde alguém cuja presença se tornou parte da própria vida e que verá pela última vez na tarde deste domingo, quando deve acontecer o sepultamento.
Da trajetória iniciada no Ceará e consolidada em Castanheira, ficaram raízes profundas. Lola deixa o esposo, os filhos, sete netos, cinco bisnetos e uma herança que não pode ser medida em números: o testemunho de uma vida marcada pela fé, pelo trabalho silencioso e pelo amor à família.
Nas memórias que permanecerão vivas, haverá sempre espaço para o cuscuz servido à mesa, para as flores cuidadas com carinho e para os gestos simples que transformavam o cotidiano em afeto. E se as luzes que permanecem acesas nesta noite recordam a vigilância cristã, lembram também algo maior: a presença de Deus e a esperança da vida eterna. Porque, para aqueles que morrem em Cristo, a morte não é o apagar da luz, mas o amanhecer de um novo dia na eternidade.