A radiação emitida pelos celulares é classificada como não ionizante, ou seja, não possui energia suficiente para alterar diretamente o DNA das células
Levantamento aponta os modelos com maior índice de absorção de radiação e traz orientações para um uso mais seguro dos smartphones.
Uma pesquisa baseada em dados de 2024 do Escritório Federal Alemão de Proteção contra Radiação (BfS) revelou quais são os celulares com os maiores índices de emissão de radiofrequência, medida pela chamada Taxa de Absorção Específica (SAR). Embora os aparelhos citados estejam dentro dos limites considerados seguros pelos órgãos reguladores, o estudo reforça a importância do uso consciente dos smartphones.
O modelo que aparece na primeira posição é o Motorola Edge, com índice SAR de 1,79 W/kg. Na sequência estão o ZTE Axon 11 5G, com 1,59 W/kg, e o OnePlus 6T, que registrou 1,55 W/kg.
Também figuram entre os aparelhos com maiores índices de absorção o Sony Xperia XA2 Plus (1,41 W/kg), Google Pixel 3 XL (1,39 W/kg), Google Pixel 4a (1,37 W/kg), Sony Xperia XZ1 Compact (1,36 W/kg), Oppo Reno5 5G (1,36 W/kg), Google Pixel 3 (1,33 W/kg) e OnePlus 6 (1,33 W/kg). Outros modelos, como Huawei Nova 2, Huawei P Smart e OnePlus 9, também apresentam índices relativamente elevados, mas continuam dentro dos padrões internacionais de segurança.
O que é a Taxa de Absorção Específica (SAR)?
A sigla SAR, do inglês Specific Absorption Rate, representa a quantidade de energia de radiofrequência absorvida pelo corpo humano durante o uso de um telefone celular. O índice é expresso em watts por quilograma (W/kg) e serve como referência para avaliar a exposição do usuário à radiação emitida pelo aparelho.
Para determinar esse valor, os fabricantes submetem os celulares a testes em laboratórios especializados. Nesses ensaios são utilizados equipamentos que simulam a cabeça e o corpo humanos, preenchidos com líquidos que reproduzem as características dos tecidos humanos. Sensores de alta precisão medem a energia absorvida durante chamadas telefônicas e durante a transmissão de dados.
Os aparelhos oferecem risco à saúde?
Especialistas destacam que a presença de um índice SAR mais elevado não significa, por si só, que o aparelho seja perigoso. Todos os celulares comercializados legalmente precisam obedecer aos limites estabelecidos pelos órgãos reguladores.
Nos Estados Unidos, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) estabelece como limite máximo 1,6 W/kg. No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adota um limite ainda maior, de 2 W/kg. Assim, mesmo o Motorola Edge, que lidera o levantamento com 1,79 W/kg, permanece dentro do padrão aceito para comercialização no país.
Além disso, a radiação emitida pelos celulares é classificada como não ionizante, ou seja, não possui energia suficiente para alterar diretamente o DNA das células, como ocorre com os raios X ou a radiação nuclear. Até o momento, não existe consenso científico de que o uso normal de celulares, dentro dos limites regulamentares, provoque doenças.
Cuidados simples ajudam a reduzir a exposição
Apesar de os aparelhos atenderem às normas de segurança, algumas medidas simples podem diminuir ainda mais a exposição diária à radiofrequência.
Uma das principais recomendações é utilizar fones de ouvido ou o recurso viva-voz durante as ligações, mantendo o aparelho afastado da cabeça. Também é aconselhável evitar carregar o celular no bolso da calça ou junto ao corpo por períodos prolongados, especialmente quando o aparelho está transmitindo dados.
Outra orientação é reduzir o tempo de chamadas muito longas e alternar o lado da cabeça durante as conversas. Sempre que possível, o modo avião pode ser ativado quando o celular não estiver em uso, interrompendo a emissão de sinais de rádio.
Durante a noite, especialistas também sugerem deixar o aparelho sobre uma mesa ou móvel próximo, em vez de mantê-lo ao lado da cabeça na cama. São medidas simples que podem reduzir a exposição acumulada sem comprometer o uso cotidiano do smartphone.
Embora a pesquisa desperte a curiosidade dos consumidores, ela não significa que seja necessário trocar de aparelho apenas por causa do índice SAR. O mais importante é utilizar o celular de forma equilibrada e seguir as recomendações de segurança, aproveitando os benefícios da tecnologia com maior tranquilidade.